quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Faca de 2 gumes

Esperar não é uma das coisas de que a humanidade gosta!

Antes de construírem a ilusão e se enterrarem nela, vocês experimentaram a magnificência da eternidade onde não há espera porque lá tudo está somente no agora.

O tempo é uma espada de dois gumes.
Ele é a parte da ilusão que efetivamente esconde ou disfarça o eterno momento do agora fazendo que ele pareça ser somente momentâneo ao invés de eterno.
Vocês podem se lembrar de épocas e experiências passadas, e vocês podem sonhar ou imaginar épocas e experiências futuras, mas sua experiência do agora parece voar quando é agradável, e pode parecer interminável quando vocês estão com dor ou em sofrimento.
Isto, na verdade, é o que frequentemente é descrito como “attachment” (apego).

Deixar ir o “attachment”, a necessidade de realizações ou resultados no tempo, como Buda ensinou, os alivia do sofrimento e da ansiedade.
Vocês ainda experimentarão prazeres, dores e aborrecimentos quando eles ocorrem, mas não se sentirão atraídos a mantê-los ou a evitá-los.
Vocês se sentirão em paz sabendo que eles passarão e serão substituídos por outras sensações.
No tempo, na ilusão, nada dura, tudo passa. 
Quando vocês mantêm, vocês se ligam à raiva, por exemplo, sensações prazerosas que vocês poderiam estar aproveitando passam desapercebidas, ou até intensificam sua raiva, já que nesse estado sua habilidade para o prazer se sente bloqueada.
Tentar fazer as sensações agradáveis permanecerem através de se agarrem a elas - attachment – as destrói, transforma-as, digamos, em cinzas, e vocês se frustram, provocando sofrimento.
Vocês não podem controlar a ilusão, ela apenas se desenvolve, mas vocês podem e realmente contribuem com ela continuamente porque vocês estão envolvidos nela.
Às vezes parecerá que suas contribuições são boas porque uma realização aparentemente satisfatória ocorre, e em outras ocasiões o oposto é verdade, causando confusão e consternação. Parece que vocês seguiram as regras, obedeceram às leis, e tudo deu errado!
Eventos que vocês não poderiam ter previsto, eventos dos quais vocês jamais teriam ciência mudaram o resultado esperado.
Para experienciar paz e contentamento é essencial deixar ir as expectativas.
Experienciar desejos e necessidades é normal, mas a decisão – e definitivamente é uma decisão mesmo se vocês não tiverem ciência disso – de que vocês não podem ser felizes a menos que se obtenha um determinado objeto, ou que certa realização ocorra assegura que vocês nunca possam estar em paz.

A paz é seu estado natural.
Quando vocês não estão em paz, como a maioria das pessoas por longos períodos, isto significa que vocês estão apegados a realizações, realizações que vocês não podem controlar.
Quando vocês investigarem honestamente seus attachments (apegos), o que não é fácil, vocês descobrirão que eles são em sua maioria medos quanto a necessidades, ou estar certo, ou ser melhor do que, ou ser especial.
Mas nós somos todos um, ninguém é melhor ou mais certo, apenas diferente – o que é bom, é assim que deveria ser – mas na ilusão somos levados com firmeza para a necessidade de dividir e separar entre bom e mau, nós e eles.

Então nós brigamos com eles para mostrar-lhes que estão errados, que eles estão ofendendo Deus e nós, e que eles devem ser corrigidos, julgados e punidos – de preferência por nós!
Nós sabemos que quando nós os derrotarmos e vencermos, tudo ficará bem...
Mas nunca fica.
Então deixem ir, aceitem a vida conforme ela acontece, e aprendam as lições que ela proporciona, ao invés de se rebelar contra essas lições.
Cada um está num ponto do caminho para a paz.
É como se vocês estivessem mergulhados em água gelada, e toda vez que vocês aprendem uma lição, a água fica um pouco mais quente, até que finalmente vocês e a água estão na mesma e perfeita temperatura, e vocês não mais podem identificar onde vocês terminam e a água começa.
Vocês são um com a água, em total paz e contentamento.

E esta simples representação simbólica, apesar de ser confortante enquanto vocês estão mergulhados na ilusão, não pode transmitir nem uma mínima idéia da paz infinita que vocês experimentarão quando vocês despertarem para a total consciência, o que vocês inevitavelmente farão!

Com muito amor, Saul.

4 comentários:

Rafaela, Aquela que Deus curou disse...

Fernando, obrigada por trazer uma reflexão dessas,justo agora que estou começando essa fase do desapego, de evitar as coisas, pensamentos, atitudes, pessoas que me fazem mal. O texto é duro, mas é real. Um abraço.

Cris Linardi disse...

Excelente! Desapego é fundamental...sei do que está falando e não é fácil conviver com saudade e necessidade de proximidade. Mas a ansiedade só atrapalha.
Grande abraço!

Vanessa disse...

Isso aí Fê!
ótimo texto!

yanecamocardi disse...

Fernando, adorei a reflexão. Mostra uma realidade que muitas vezes não queremos enxergar.
Foi um excelente aprendizado para mim. Obrigada e continue escrevendo.
Beijo. Yane