segunda-feira, 4 de maio de 2009

Amor inventado.

Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, tem a ver com as nossas expectativas e tem muito a ver com o que ela "vende" de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: a de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real.

Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude , não por alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme. Mas isso é no começo. Uma vez o romance (romance também pode ser apenas uma amizade) engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas e nossas imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito. Quem se apaixonou por um falsário, tem que desconstruí-lo para se desapaixonar. É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia. Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentim e nto nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação - e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa. 


Da escritora Martha Medeiros

4 comentários:

ylena.1030@hotmail.com disse...

Jamais podemos inventar um amor e sim obtermos ele sempre verdadeiro no nosso corãção e não nos iludirmos para não sofrermos amanhã depois.
Sejamos verdadeiros com os nossos sentimentos e emoções.
"O maior amor é aquele que vem no fundo da nossa alma e não de fora para dentro".

Crisss εïз disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cristal disse...

A desconstrução é dolorosa e lenta, quanto mais ilusão mais demorado o processo... Chega a sangrar nossa alma! A dor é imensa!!!

European Brechó disse...

Eu nao concordo com a Martha.

Acho muito mais difícil desfazer-se de alguém que era a imagem que tinhamos projetado e foi autentico.
Os que inventam uma imagem para si mesmos normalmente sao superficiais e estando em um relacionamento de mais tempo com esse tipo de gente nos permite ver qual a personalidade real da pessoa. Até porque as mentiras nao duram muito tempo. A dualidade acaba vindo a toda.

Portanto, é muito mais fácil de se livrar dessas pessoas sabendo que tudo foi uma mentira, sendo assim, nem existiu. Deixa apenas algo em branco.

Já com a " pessoa real" sao sentimentos verdadeiros, que ambos vivenciaram. Pessoas reais juntas normalmente dividem sonhos, se tornam melhores amigos. Se a pessoa que tu estás no relacionamento é aquela que tu tinha idealizado, amar ela se torna uma entrega. E por termos nos entregado em totalidade, corpo e alma e ter vivenciado aquela certeza que desfazer-se desta pessoa vai doer muito mais do que alguém imaginário.

beijos
Roberta